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Afta: o que causa e como evitar esse problema

O que é afta?

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As aftas são as lesões bucais mais comuns, atingindo todas as faixas etárias.

As aftas são lesões bucais dolorosas, esbranquiçadas (ou amareladas), com bordas avermelhadas, e que podem surgir em diversos locais da região interna da boca, como língua, bochecha, lábios e até mesmo nas gengivas. Elas podem ser pequenas, grandes, isoladas ou podem ser desenvolver em colônias. Esse transtorno surge ainda na infância, e a dificuldade de mastigação e deglutição de alimentos que ela causa faz com que as crianças sofram bem mais que os adultos.

A medicina ainda não “bateu o martelo” sobre a verdadeira causa dessas lesões. No entanto, investigações apontam a baixa imunidade como a principal responsável pela moléstia, que geralmente se aproveita de situações como pós-operatório, doenças crônicas, tratamentos médicos, deficiência alimentar, entre outras situações que comprometam as defesas do organismo.

Trata-se das lesões bucais mais comuns entre a população e suspeita-se de que pelo menos metade dela —  em todas as faixas etárias  — sofra ou já tenha sofrido com o problema, pois, de acordo com especialistas, é possível que uma predisposição para esse tipo de lesão também contribua para o seu aparecimento.

Apesar de exigir atenção (como qualquer outra doença), as aftas não são consideradas afecções graves, e, em condições normais, costumam desaparecer espontaneamente entre 10 e 12 dias.

O que provoca afta?

Ainda não é possível apontar com precisão as causas desse transtorno. A medicina costuma trabalhar com hipóteses baseadas em vários fatores, que tanto podem estar associados à própria boca como ao organismo de um modo geral. No entanto, o que é praticamente um consenso é que uma predisposição associada a uma situação de baixa imunidade são decisivas para o seu surgimento.

Com base nesse argumento, algumas das principais causas desse transtorno podem ser:

1. Doenças

As doenças são as principais responsáveis por debilitar o sistema geral do organismo, e muitas delas podem se manifestar por meio de diversos tipos de lesões na boca, inclusive aftas.

O câncer, por exemplo, pode provocar lesões orais. Essas lesões geralmente surgem como o resultado de tratamentos quimioterápicos e radioterápicos, que são altamente agressivos e capazes de comprometer drasticamente o sistema imunológico do paciente.

A Aids, que se caracteriza por um ataque agressivo às defesas do organismo, também tem essas lesões como um dos seus principais sintomas.

Outras doenças, como diabetes, anemia falciforme, leucemia, entre outras afecções semelhantes, também podem se manifestar por meio da erupção de aftas na boca.

2. Estresse

Essa é atualmente apontada como uma das principais causas do surgimento de lesões orais. Determinados distúrbios emocionais, a depender da sua intensidade, podem comprometer o sistema geral do organismo. Esse tipo de lesão geralmente é um dos sintomas desse quadro, mas tende a desaparecer assim que o organismo deixa de produzir tal reação.

Suspeita-se que um conjunto de células conhecidas como células de Merckel estaria por trás do transtorno. De acordo com estudos, essas células, presentes no tecido bucal, são as primeiras a ser danificadas em situações de estresse, liberando diversas substâncias capazes de intensificar a agressão.

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As aftas podem surgir a partir do rompimento de algumas células bucais durante episódios de estresse.

3. Deficiência de vitaminas

Algumas vitaminas, como A, E, B12, C, D e ácido fólico, são reconhecidamente responsáveis pela manutenção adequada do sistema imunológico do organismo. Sais minerais, como zinco, cromo, selênio, bário, fósforo, entre outros, completam essa função, permitindo a correta ação dos glóbulos brancos, como agentes de defesa contra agressões dos mais diversos micro-organismos.

Obviamente, quando há deficiência de algumas dessas substâncias, os primeiros sinais ocorrerão em forma de pequenos distúrbios do organismo, e as aftas são algumas das suas manifestações mais comuns entre indivíduos de todas as faixas etárias.

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4. Alterações hormonais

Nesse caso, as mulheres são as mais prejudicadas com a ocorrência de diversos tipos de lesões bucais. Uma situação muito comum são os relatos de mulheres que sempre tiverem o problema, mas que, durante a gravidez, não apresentaram o distúrbio.

Esse fato levou a medicina a acreditar que a falta de hormônios, como beta HCG, relaxina, estrógenos,  progesterona, entre outros hormônios femininos, pode tornar determinadas células bucais mais propensas a um rompimento, com consequente desenvolvimento de aftas e demais lesões orais.

5. Alergia a alimentos

Alguns indivíduos costumam desenvolver essas lesões ao ingerirem alimentos como glúten, leite, chocolate, queijos, frutas cítricas, canela, café, chás, condimentos, entre outros.

Para os especialistas, o que ocorre é que, em algumas pessoas, a ingestão desses alimentos acaba causando uma espécie de desequilíbrio do sistema imunológico, pois os linfócitos costumam atacar essas substâncias dentro do organismo, acreditando tratar-se de invasores.

Também pode ocorrer uma produção exagerada de endorfina e dos chamados “compostos irritativos”, que, pelas suas características, têm a capaciddade de causar irritação e desorganização dos tecidos epiteliais.

6. Medicamentos

As aftas também podem ser uma reação à ingestão de diversos tipos de medicamentos, como imunossupressores, corticoides, anti-inflamatórios, antibióticos, antidiabéticos, entre outras substâncias capazes de comprometer as defesas do organismo.

O recomendado, nesses casos, é a suspensão de determinados medicamentos considerados suspeitos (desde que autorizada pelo médico).

Por meio desse teste é possível saber qual substância é a responsável pelo transtorno, para que se possa sustituí-la por outras composições ou, até mesmo, por um tratamento alternativo com homeopáticos.

7. Predisposição genética

Estudos revelaram que entre 30 e 40% dos indivíduos com aftas possuem histórico do transtorno em suas famílias. Essa informação tem levado a medicina a apontar determinadas alterações genéticas como uma das possíveis causas do distúrbio.

Há suspeitas de que mutações em genes como o MEFV, M694V, ou alterações na forma do Il-1 beta, podem tornar os seus portadores sucetíveis de desenvolver determinadas lesões bucais. Porém alterações em moléculas como a HLA-B35 e HLA-A33 (que se ocupam da transmissão genética da capacidade do sistema imunológico de responder às agressões) podem estar envolvidas.

8. Micro-organismos

Também é possível que ataques de micro-organismos à cavidade oral sejam responsáveis, em alguns casos, pelo surgimento de aftas ‒ descartadas as demais causas.

Algumas espécies de streptococcus podem ter essa capacidade, quando atacam o epitélio bucal por meio de tratamentos odontológicos, traumas, entre outras agressões.

Além deles, os vírus da varicela zóster, herpes labial, citomegalovírus, o coxsackie vírus, entre outros, quando não desenvolvem as suas infecções características, podem manifestar-se por meio de lesões bucais.

Quais são os tipos de afta?

São três os tipos identificados, até hoje, pela medicina:

1. Estomatite aftosa maior

Esse é o tipo mais comum e menos grave. Geralmente se caracteriza por lesões entre 8 e 10 mm, arredondadas, esbranquiçadas (ou amareladas), dolorosas, e que costumam desaparecer espontaneamente em até duas semanas.

São as mais populares entre crianças (até os 13 anos de idade), e, nesses casos, a alergia a determinados tipos de alimentos e baixa imunidade são os principais fatores desencadeadores do distúrbio.

Os tecidos das bochechas, língua, lábios e céu da boca são os mais afetados, principalmente por serem estruturas não queratinizadas, ao contrário das gengivas que dificilmente são afetadas.

2. Estomatites do tipo maior

As lesões do tipo maior são as mais raras (atingem entre 10 e 12% dos indivíduos) e, talvez por isso mesmo, são as que produzem mais danos à cavidade oral e cicatrizes bastante visíveis.

O seu formato é oval, podendo facilmente chegar ao diâmetro de 1 cm e perdurar por meses, graças a uma incrível resistência aos diversos tipos de tratamentos existentes.

Elas são mais comuns nos lábios e céu da boca; têm preferência pelo sexo feminino, acima dos 30 anos; possuem maiores dimensões, em relação à afta do tipo menor; além de conseguirem manifestar-se nas mucosas queratinizadas da boca.

O seu tratamento é mais complexo e demorado ‒ na maioria dos casos ‒, podendo durar semanas ou meses. Ela também pode, muitas vezes, comprometer outros órgãos do corpo, principalmente o aparelho digestivo, devido ao sensível comprometimento da mastigação e deglutição de alimentos — que é uma das suas principais características.

3. Estomatite herpetiforme

Essa variedade é ainda mais rara do que as outras, e tem como principal característica o fato de apresentar-se como uma verdadeira colônia de aftas ‒ com cerca de 1 mm cada ‒, que, juntas, formam um todo, bastante doloroso e de difícil tratamento.

Estima-se que essa variedade atinja cerca de 8% dos indivíduos ‒ geralmente jovens entre 25 e 35 anos ‒, e podem ser o resultado de fatores genéticos associados a um quadro de desequilíbrio do sistema imunológico.

Para o diagnóstico, será preciso recorrer a uma anamnese, seguida de uma bateria de exames laboratoriais, para um tratamento que, na maioria dos casos, exige a aplicação de laser ou outras técnicas mais modernas e potentes.

Quais os principais sintomas?

Dor e ardência ao serem tocadas são os principais sintomas das aftas. Tal é essa sensação, que muitos costumam achar que se trata de uma lesão bem mais grave, quando, na verdade, uma pequena ferida com não mais que 6 mm, é capaz de transformar os dias de um indivíduo em um verdadeiro inferno.

Além desse sintomas, outros podem acompanhar o distúrbio, como: sangramento, vermelhidão, ressecamento da região afetada, perda de apetite e comprometimento do paladar.

Em casos de lesão herpetiforme, são relatados sintomas, como: febre, indisposição, aumento dos gânglios linfáticos, lesões no esôfago, entre outros transtornos do sistema digestivo.

Já os bebês, por serem mais sensíveis à dor e incapazes de comunicar o problema, são os que mais sofrem, e, por isso mesmo, exigem atenção redobrada.

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Dor, ardência e dificuldade em deglutir alimentos são os principais sintomas das aftas.

Como evitar a afta?

1. Modifique a dieta

Como foi dito, uma das principais causas do desenvolvimento de aftas na cavidade oral é a deficiência de determinados tipos de vitaminas e sais minerais, como vitaminas A, B12, C, D, E, ácido fólico e sais minerais, como zinco, selênio, bário, fósforo, potássio, entre outros.

A deficiência desses nutrientes resulta no comprometimento do sistema imunológico do indivíduo e, consequentemente, na ação de determinados vírus oportunistas, que se aproveitam dessa condição para proliferarem-se no organismo.

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2. Mantenha uma boa higiene oral

Nesse caso, uma boa higiene oral evita a ação de determinados ácidos sobre as mucosas orais, equilibra a quantidade de bactérias na boca, combate as microlesões existentes, entre outros inúmeros benefícios.

No entanto, visitas regulares ao dentista, o uso do fio dental e enxaguantes bucais (sem álcool), uma alimentação rica em vitaminas e sais minerais (e deficiente em gorduras e açúcares), também fazem parte de uma higiene bucal adequada.

3. Tenha um estilo de vida saudável

O hábito de praticar exercícios físicos, ingerir bastante líquidos durante o dia, cultivar bons pensamentos, ingerir determinados tipos de infusões regularmente, entre outros hábitos saudáveis, são as principais ferramentas para a manutenção de um organismo saudável.

Como, em muitos casos, as aftas nada mais são do que a manifestação física de um transtorno que pode ter origem em diversos órgãos do corpo humano, fica fácil entender como essas práticas podem contribuir para evitar esse tipo de ocorrência durante a vida de um indivíduo.

Qual profissional procurar?

Dentistas, estomatologistas e clínicos gerais são os profissionais mais indicados para diagnosticar e determinar o tratamento para os vários tipos de aftas que podem surgir na cavidade oral.

Pelo simples fato de ser uma doença de etiologia ainda não determinada com precisão, o profissional deverá avaliar o organismo como um todo e, especificamente com relação às lesões, combater os seus sintomas, por meio do alívio da dor e inflamação, até que o processo de cura e cicatrização ocorra espontaneamente.

O processo deverá partir de uma anamnese, em que o paciente responderá questões relativas aos seu estilo de vida, como uso de medicamentos, rotina de higiene oral, histórico de doenças, dieta alimentar, há quanto tempo sofre com o problema, entre outros fatores com potencial de desencadear o transtorno.

De posse desse relatório, deverá proceder ao exame físico do local afetado ou a exames de laboratório para identificar outras possíveis causas.

Ao fim desse processo, o tratamento poderá ser realizado por meio de bochechos com soluções à base de água e sal de cozinha, clorexidina, entre outras substâncias (para os casos mais simples). Aplicação de corticoides (lidocaína e triancinolona acetonida, com o objetivo de reduzir a dor), anti-inflamatórios e antibióticos (para combater possíveis ações de micro-organismos). E, para os casos mais graves, aplicação de laser de baixa potência ou outros métodos um pouco mais invasivos.

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O combate a esse mal só produzirá um resultado seguro quando orientado por um profissional.

Agora fique à vontade para deixar o seu comentário sobre este artigo. Além das suas possíveis experiências com esse transtorno tão recorrente.

About the Author:Carolina Caram

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