START TYPING AND PRESS ENTER TO SEARCH

image4 (2)

Enxerto ósseo: o que é e para que serve

A perda de um ou mais dentes pode ser um verdadeiro transtorno na vida de uma pessoa, principalmente do ponto de vista das relações sociais. No entanto, a tecnologia de implantes dentários fez praticamente desaparecer os inconvenientes desse tipo de trauma. Hoje existem técnicas como o enxerto ósseo, capaz de criar as condições ideais para que a estrutura mandibular passe por esse tipo de procedimento.

Porém esse tipo de cirurgia dependerá, necessariamente, de uma cavidade oral em bom estado. E quando é constatada uma irregularidade na estrutura para a sustentação dos implantes, isso pode ser um indicativo de que um enxerto será necessário.

image8 (1)
Essa técnica permite a restauração do osso mandibular comprometido após a perda de um dente.

Como se sabe, um implante dentário é realizado por meio da fixação de pinos metálicos – como se fossem o substituto da raiz dental. Externamente, uma coroa é encaixada sobre a prótese para dar-lhe  a aparência de um dente, enquanto uma rosca garante a fixação.

Mas para que o mecanismo funcione adequadamente, é preciso que o osso da mandíbula seja suficientemente resistente e capaz de receber e fixar o pino de forma correta. E caso seja constatada a sua incapacidade, um enxerto fará a recuperação do local, dando-lhe a estrutura necessária para uma operação com sucesso.

O que é enxerto ósseo?

image2 (3)
Nessa técnica, é retirado um pedaço do osso (geralmente da parte de trás da cavidade oral) de uma região da boca e enxertado no local onde deverá ser realizado o implante.

Várias situações podem resultar na perda de um dente: quedas, mastigação de alimentos muito duros, doenças gengivais, cárie, entre outros transtornos.

Quando isso ocorre, toda a região das gengivas é comprometida, pois um dente perdido provoca a deterioração do osso de sustentação (ossos alveolares) com o passar do tempo. E somente quando o indivíduo decide realizar um implante, descobre, surpreso, que não possui uma estrutura óssea capaz de sustentar esse mecanismo.

Os ossos da mandíbula simplesmente diminuíram de volume ou perderam a sua resistência, e agora somente o enxerto de um osso poderá devolver, em certa medida, a saúde da região afetada.

Após a avaliação do dentista por meio de radiografias, ressonância magnética ou tomografia computadorizada, a qualidade da mandíbula será determinada, e, caso seja constatada a sua incapacidade de suportar a operação, o enxerto poderá ser a melhor solução encontrada.

Esse é um procedimento considerado simples, pouco invasivo e bastante corriqueiro em consultórios odontológicos. Tanto é assim que, na maioria das vezes, é realizado no próprio consultório, por meio de uma anestesia local, e somente os casos mais complexos são encaminhados para um centro cirúrgico.

Quando deve ser feito?

No momento em que um indivíduo decide submeter-se a um implante dentário, é necessário que, antes de qualquer coisa, o profissional escolhido avalie a estrutura da mandíbula, a fim de determinar a sua capacidade de suster os materiais utilizados.

Por meio de uma tomografia computadorizada, radiografias, entre outros procedimentos, avaliará se há ou não necessidade de um enxerto ósseo.

Também é possível que o osso da mandíbula apresente-se fragilizado, desgastado ou pouco espesso. Isso acontece, geralmente, alguns anos após a perda do dente. O local, aos poucos, vai atrofiando, e tanto a sua largura quanto a altura perdem as características que possuíam.

image1 (3)
Os enxertos geralmente são requisitados nos casos de implantes dentários.

É a chamada “reabsorção óssea”. Um processo natural do organismo, que consiste na dissolução – com consequente digestão – dos tecidos que compõem os ossos pelos ácidos produzidos pelas células especializadas nessa função.

Há também os casos em que uma doença periodontal é a responsável pelo desgaste ou retraimento do osso da mandíbula. Uma das consequências mais dramáticas desse estado é a perda do dente.

Nesses, como em outros casos, a enxertia óssea é a melhor maneira de restaurar a estrutura da mandíbula. A técnica permite a realização do implante, e ainda garante a qualidade estética da face, que, aos poucos, será comprometida.

CTA

Quais os tipos de enxertos?

Os avanços tecnológicos para os procedimentos realizados no segmento da Odontologia permitem que tratamentos como o implante dentário sejam realizados em praticamente todos os casos, e mesmo em situações em que a estrutura mandibular encontra-se extremamente comprometida.

Os enxertos são a prova disso. Uma técnica de introdução de massa óssea (tanto na arcada superior quanto na inferior da cavidade oral) na estrutura mandibular, atualmente utilizada em praticamente todos os consultórios do país.

image3 (3)
Apesar de sofisticada, a técnica de enxertia óssea é extremamente difundida mundo afora.

As técnicas mais modernas envolvem o uso dos chamados “biomateriais”, que são compostos sintéticos capazes de, após serem aplicados na estrutura mandibular, integrar-se à sua estrutura óssea e, inclusive, estimular a reconstrução da dentina e do nervo dental.

Já o método considerado clássico é conhecido como “autógeno”. Nessa técnica, em vez de um material sintético, é utilizado um pedaço do osso do próprio paciente (geralmente da parte de trás da boca), para ser implantado na região deteriorada da mandíbula.

Quanto às técnicas utilizadas, as principais são:

1. Autógenos

Esse é o tipo clássico de enxerto ósseo. Para o procedimento, um pedaço do osso do próprio paciente é utilizado para a reconstrução da mandíbula.

A técnica possui algumas características particulares, como: a capacidade de integrar-se ao osso e produzir massa óssea, estimular as células a produzirem novas células ósseas e, entre as técnicas existentes, é a que apresenta o menor índice de rejeição.

image7 (1)
No método autógeno, o próprio paciente é o doador e receptor do osso utilizado no enxerto.

2. Xenógeno

Essa é uma técnica de enxerto bastante peculiar, pois o osso utilizado para a reconstrução da estrutura mandibular é retirado de bovinos. Por meio de uma tecnologia específica, a técnica é capaz de induzir a formação óssea, através da ação dos osteoblastos – células responsáveis pela produção de massa óssea.

Obviamente, por utilizar-se de material proveniente de uma outra espécie animal, os índices de rejeição são mais altos, apesar de ser uma das técnicas que produzem os melhores resultados, principalmente pela abundância e pela qualidade da matéria-prima.

3. Alógeno

Nesse caso, o osso utilizado para o enxerto é de um outro indivíduo (doador diferente). Após vários testes, é confirmada a compatibilidade dos materiais, e garantido do êxito do procedimento.

O problema dessa técnica é sua menor capacidade osteoindutora, ou seja, a capacidade de produção de osteoblastos capazes de produzir massa óssea.

4. Aloplástico

Materiais aloplásticos são compostos sintéticos capazes de realizar um enxerto, estimulando o próprio organismo a produzir massa óssea.

Os mais utilizados são materiais biocompatíveis (que podem ter contato com tecido vivo), como: polímeros, cerâmicas, hidroxiapatitas, colágenos, fosfato de cálcio, entre outros.

Suas principais vantagens são a rapidez, o preço mais barato da cirurgia, além de ser das menos invasivas. A desvantagem significativa é um maior índice de rejeição, principalmente quando comparada à técnica autógena.

Como é o procedimento e o tempo de recuperação?

image4 (2)
Como toda cirurgia, o enxerto ósseo é de alguma forma invasivo e, por isso, o sucesso do empreendimento depende dos cuidados do paciente.

A técnica utilizada para esse tipo de procedimento exige, entre outras coisas, a participação de um especialista. Via de regra, o profissional mais indicado é o cirurgião-dentista, responsável por determinar o melhor local para a retirada do osso que será utilizado e escolher entre as diversas técnicas existentes.

De acordo com o que for decidido, o profissional poderá optar por retirar o osso de regiões específicas da mandíbula do paciente (geralmente na região onde nascem os sisos), de espécies bovinas, ou utilizar compostos sintéticos biocompatíveis, que serão enxertados no local onde houve o desgaste ou diminuição da altura do osso onde estão fixados os dentes.

Na maioria das vezes, a cirurgia é simples. O procedimento pode ser realizado de uma só vez ou dividido em várias sessões – de acordo com a sua complexidade  –, seguido de consultas regulares (entre 3 e 6 meses), com objetivo de observar a evolução do tratamento.

O comum é que sejam necessários entre 6 e 8 meses para a recuperação e estabilização de um enxerto ósseo, e para que o implante dentário possa ser realizado. No entanto, algumas técnicas citadas acima possuem a vantagem de um pós-operatório bem mais rápido, e algumas até mesmo dispensam esse prazo de recuperação e permitem que o implante seja realizado durante o processo de enxerto.

Porém, nos casos em que um período de recuperação para a chamada “osteointegração” é necessário, o recomendado é que este seja seguido à risca. Pois é da capacidade e habilidade do profissional e da responsabilidade do paciente que depende o sucesso de um procedimento que, apesar de enquadrar-se entre os processos cirúrgicos mais simples, não deixa de ser, de alguma forma, invasivo.

Quais são os cuidados a serem tomados no pós-operatório?

Como qualquer procedimento na cavidade bucal, as sugestões de cuidados para o pós-operatórios são, basicamente, evitar alimentos muito duros, manipular objetos na boca, utilizar corretamente os antibióticos e anti-inflamatórios prescritos, além do cuidado com a intensidade durante a higiene bucal. Cuidados esses que devem fazer parte da sua rotina durante os primeiros 4 meses após a cirurgia.

Além disso, cabe uma atenção especial com as próteses, que devem ser evitadas durante o processo de osteointegração do material aplicado. Da mesma forma, aparelhos ortodônticos e piercings podem comprometer todo o trabalho e, inclusive, levar a um processo inflamatório no local.

image5 (1)
Pelo seu poder analgésico e anti-inflamatório, o gelo é a companhia ideal após um procedimento cirúrgico.

Outros cuidados recomendados são:

  • Durante as primeiras 24 horas do enxerto, deve-se evitar os esforços exagerados e atividades físicas intensas;
  • Dar preferência a uma dieta pastosa e gelada, como por exemplo: caldos, sopas, purês, arroz cozido, além de sorvetes, picolés, bebidas geladas etc. – nesse último caso, o gelo terá uma ação anti-inflamatória e anti-hemorrágica;
  • Evitar a exposição ao sol entre 10h e 15h;
  • Falar somente o necessário e de forma cadenciada;
  • O álcool e o cigarro devem ser evitados;
  • Na hora de dormir, tentar manter a cabeça levemente inclinada para cima;
  • Durante as primeiras 24h, evitar bochechos, gargarejos, sucção ou cuspir com muita intensidade;
  • Nas primeiras 5 horas, faça compressas de gelo por 10 minutos (a cada hora), principalmente se perceber algum tipo de alteração na região;
  • Não negligencie os antibióticos e anti-inflamatórios prescritos;
  • E não esqueça de realizar a consulta de retorno, para que o profissional observe a evolução do tratamento e retire os pontos.

CTA FINAL 2

O que pode acontecer se o enxerto não for feito?

1. Atrofia óssea

Após a perda de um dente, seja por doenças periodontais ou por traumas, ocorre um fenômeno natural conhecido como “reabsorção óssea”. Durante o processo, um grupo de células conhecidas como “osteoclastos” dissolvem a matriz óssea por meio dos ácidos que produzem para esse fim. O resultado são ossos alveolares frágeis, finos e curtos.

2. Comprometimento da estética

A tentativa de realizar um implante dentário sem a prévia realização de um enxerto ósseo pode tornar-se um evento extremamente traumático.

Do ponto de vista estético, o mais comum é que o dente implantado fique com uma aparência bem maior que os demais. Isso porque a gengiva, nesse local, apresenta-se muito curta e pouco espessa.

image6 (1)
O enxerto ósseo garante a eficácia de um implante, inclusive do ponto de vista estético.

3.Resultado insatisfatório

A qualidade da enxertia dependerá, necessariamente, da qualidade do ossos alveolares da mandíbula, onde serão fixados os pinos de titânio.

Uma estrutura óssea fragilizada, instável e sem firmeza não permitirá a correta fixação dos materiais, e o implante não terá a duração e nem a função esperadas.

4. Complicações cirúrgicas

A depender do caso, o profissional pode recorrer ao uso de biomateriais que, entre outras coisas, tornam o processo cirúrgico bem mais rápido e indolor.

Um implante dentário em uma região que não recebeu um enxerto ósseo, tende a ser mais demorado, doloroso e complexo.

Agora que você sabe um pouco mais sobre essa curiosíssima técnica, que tal deixar-nos as suas observações sobre o assunto, em forma de comentário, logo abaixo. É por meio delas que podemos avançar, ainda mais, sobre esses e outros temas.

About the Author:Carolina Caram

Leave a Comment

Whatsapp - 8h às 18h