START TYPING AND PRESS ENTER TO SEARCH

image3 (1)

Lesões bucais: fique atento aos sinais da boca sobre o seu organismo

O que são lesões bucais?

As lesões bucais são quaisquer tipos de alterações na cavidade oral, em forma de inchaços, feridas, manchas, tumores, entre outras manifestações inflamatórias.

Essas lesões podem ser o resultado de traumas, fricções ou agressões químicas na mucosa oral, mas também o sinal de algum distúrbio físico ou mental, que pode se manifestar por meio de lesões brancas, vermelhas, aftoides ou em forma de bolhas.

Dados revelam que cerca de 1/3 da população sofre com algum tipo de lesão oral, e a afta é a mais prevalente, com cerca de 20% da população afetada por algumas das suas variedades.

A herpes simples (HSV-1) também é considerada um problema de saúde pública, já que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), pouco mais 3,7 bilhões de indivíduos com menos de 50 anos (cerca de 66% da população) sejam portadores do vírus.

image1
Segundo a OMS, 1/3 da população possui algum tipo de lesão oral.

Outra realidade que vem chamando a atenção de especialistas em todo o mundo, são os casos de neoplasias malignas (câncer de boca) que, ainda de acordo com a OMS, atinge cerca de 7% da população mundial.

É importante saber que o câncer de boca geralmente é antecedido pelas chamadas “lesões cancerizáveis”, que são alterações na estrutura de alguns tecidos ou mucosas, que, na maioria das vezes, não apresentam qualquer sintoma e podem ser facilmente confundidas com um distúrbio simples.

Lesões, como leucoplasias, líquen plano, nevus, queilite actínica, são algumas das alterações que devem receber atenção especial da população, pois, caso não sejam tratadas imediatamente, podem evoluir para o temido câncer de boca, cujo índice de morte ainda é da ordem de 40%.

Em todos os casos, o recomendado é a consulta a um especialista em odontologia, para que faça uma investigação completa sobre as origens do transtorno, quanto tempo a lesão vem evoluindo, se há dor, inchaço, sangramento ou pus, e também se há dificuldades para deglutir e ingerir os alimentos.

Contudo, outros fatores também contribuirão para o diagnóstico. Por exemplo, se a lesão é periódica (surge e desaparece dentro de uma faixa de tempo específica), os hábitos alimentares do paciente, a frequência com que executa a higiene oral, uso de medicamentos, entre outras informações semelhantes, que serão capazes de determinar, com alguma precisão, o tipo de patologia existente.

CTA FINAL 2

Quais os principais tipos de lesões bucais?

1. Estomatite aftoide recidivante (afta recorrente)

É a lesão bucal mais disseminada entre a população, com uma taxa de incidência em torno de 20%. Também conhecida como “afta simples”, é bastante comum entre crianças, adolescentes e jovens. Geralmente, apresenta-se em forma de pequenas úlceras (isoladas ou em colônias), que têm como principais características uma queimação intensa ao ser tocada, além de surgir e desaparecer periodicamente, e em intervalos que podem ser de até 30 dias.

Entre as principais causas desse transtorno, estão reações alérgicas a alimentos, infecções por vírus (EBV e HSV, basicamente), herança genética, infecções por streptococcus, deficiência imunológica, deficiência de vitaminas e sais minerais (complexo B, vitaminas A, E, C, ferro, ácido fólico, selênio, zinco, entre outros), estresse, traumas, além de outros fatores.

Para o diagnóstico correto, o profissional geralmente recorre à apalpação do local e uma anamnese, já que os testes de laboratório não conseguem diagnosticar o transtorno, pelo simples fato de ele se apresentar como um processo inflamatório simples, sem a presença de vírus, fungos ou bactérias capazes de serem identificados por uma amostra do tecido afetado.

image6
Cerca de 20% da população já teve afta em algum momento das suas vidas, e as crianças são as mais afetadas.

2. Herpes simples

Presente no organismo de praticamente todos os indivíduos (cerca de 90%), o herpes simples é transmitido por um vírus (o HSV), na maioria dos casos, ainda na infância. Esse micro-organismo é classificado como Tipos I e II, sendo que o primeiro é o responsável pela ferida nos lábios — a sua principal característica.

A transmissão geralmente se dá pelo contato com saliva e secreção genital (basicamente), e especialmente pelo compartilhamento de talheres, copos, beijo e relações sexuais.

A sua principal peculiaridade é o fato de que, uma vez infectado, o indivíduo permanecerá com o vírus por toda a sua vida, e situações de estresse, baixa imunidade, exposição ao sol, entre outros fatores, serão responsáveis pela sua proliferação no organismo e manifestação por meio de lesões bucais.

O vírus ainda possui um período de incubação entre 1 e 25 dias, e as lesões geralmente desaparecem em no máximo duas semanas, tornando-se recorrente sempre que situações como as citadas acima ocorram durante a vida do indivíduo.

A herpes simples também pode ser acompanhada por sintomas, como: dor de cabeça, febre, dor nas articulações, queimação, coceira, entre outros.


image8O vírus da herpes labial só necessita de um organismo debilitado para se manifestar.
3. Leucoplasia

A leucoplasia é uma das lesões bucais que merecem mais atenção dos indivíduos, pelo fato de que entre 5 e 7% dos casos evoluem para um quadro de câncer bucal.

Essa lesão costuma apresentar-se em forma de faixas esbranquiçadas na bochecha, gengiva ou na língua, na maioria das vezes provocadas pelo tabagismo (potencializadas pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas), mas, em alguns casos, também provocadas por traumas ou próteses mal ajustadas que, com o passar dos anos, provocam alterações morfológicas nos tecidos afetados.

Trata-se de uma lesão indolor, com prevalência em indivíduos do sexo masculino (a partir dos 50 anos de idade) e fumantes (70 a 80% dos casos). Apesar de preocupante, a boa notícia é que pode regredir facilmente, a partir da mudança de hábitos e da adoção de um estilo de vida saudável, que envolve uma dieta rica em nutrientes, ingestão entre 1,5 e 2 L de água diariamente, uma boa higiene oral e visitas regulares ao dentista.

image5
As leucoplasias estão entre as lesões bucais mais perigosas, pois entre 5 e 7% dos casos evoluem para o câncer de boca.

4. Monilíase oral (candidíase)

A candidíase (ou “sapinho”) é considerada uma das lesões bucais mais comuns entre indivíduos de todas as faixas etárias (de crianças a idosos).

Pertence à categoria das “lesões brancas”, e é provocada por um fungo, a Candida Albicans, que faz parte do grupo Candida sp.

Por estar presente na cavidade bucal da metade dos indivíduos, é, por isso mesmo, uma das lesões orais mais recorrentes, potencializadas por uma higiene oral precária, próteses contaminadas por fungos, uso de medicamentos imunossupressores, quimioterapia, diabetes, gravidez, entre outras situações que podem causar o rompimento da mucosa epitelial.

A lesão geralmente tem a aparência de uma placa esbranquiçada, bastante sensível e dolorosa, que pode ser combatida com a administração de antifúngicos, anti-inflamatórios, antibióticos, enxaguantes bucais, comprimidos, drogas injetáveis, entre outras apresentações.

A boa notícia, também, é que uma boa higiene oral, dieta saudável e visitas regulares ao dentista podem reduzir em até 80% as chances de manifestação oral do micro-organismo.

image3 (1)
Também conhecida como “sapinho”, a candidíase oral é facilmente evitada com uma boa higiene da boca e visitas regulares ao dentista.

Outras causas das feridas bucais

1. Estresse

O estresse é um fenômeno natural do corpo humano, caracterizado por um conjunto de alterações físicas, psíquicas e biológicas (contração dos músculos, taquicardia, respiração acelerada etc.), como uma reação a determinado estímulo que exige do corpo a preparação para o ataque ou para a fuga.

CTA

O problema é quando essa reação ocorre constantemente, e em níveis muito elevados, contribuindo certamente para a ocorrência de diversos transtornos no organismo, como hipertensão, problemas cardiovasculares, insônia, distúrbios renais, hepáticos e, até mesmo, lesões bucais.

Nesse último caso, o distúrbio está diretamente relacionado com a queda da imunidade do organismo. Quando isso ocorre, os vírus e as bactérias encontram o ambiente ideal para proliferarem-se, e as suas principais manifestações ocorrem em forma de herpes simples, pênfigo vulgar, aftas recorrentes, língua geográfica, entre outras moléstias que costumam se aproveitar de um organismo debilitado.

2. Alcoolismo

O alcoolismo pode ser caracterizado como a necessidade de ingestão diária de doses elevadas de bebidas alcoólicas. Esse excesso pode comprometer a cavidade oral, especialmente pela ação de um dos seus componentes, o acetaldeído, que, em doses exageradas, pode causar lesões na mucosa e tecido epitelial. Essas lesões podem funcionar como porta de entrada para diversos outros tipos de micro-organismos, mas também como promotoras de alterações na morfologia do tecido bucal.

Além disso, o consumo de mais de 300 mL, diários, de bebidas destiladas, comprovadamente, é capaz de comprometer a absorção de diversos nutrientes e sais minerais responsáveis pela manutenção da imunidade do organismo, tais como vitaminas A,D, E e B, zinco, selênio, ácido fólico, entre outras, tornando os portadores desse hábito até dez vezes mais suscetíveis de desenvolverem câncer bucal.

Um fator agravante é o consumo de bebidas alcoólicas associado ao hábito do tabagismo. Segundo a literatura médica, essa associação faz com que um indivíduo tenha até 100 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer — em relação aos que não possuem o hábito—, pois, além de potencializar a ação danosa do tabaco e das milhares de substâncias químicas no tecido bucal, ainda compromete o pH da cavidade oral.

image2 (1)
Alguns componentes das bebidas alcoólicas, como o acetaldeído, são capazes de degradar a membrana do tecido epitelial da boca.

3. Tabagismo

Os danos à cavidade oral causados pelo tabagismo podem ocorrer pela ação do calor nos tecidos moles da boca, pela ação das milhares de substâncias químicas presentes no cigarro, pela associação com bebidas alcoólicas, alteração do Ph da boca, entre outros fatores.

Uma das principais consequências do tabagismo à saúde oral é o temido câncer de boca, que tem uma incidência bem maior em homens (cerca de 3 para 1) a partir dos 50 anos de idade.

A moléstia geralmente é antecedida pelas chamadas “lesões cancerizáveis”, como leucoplasias, queilite actínica, eritoplasias, líquen plano, entre outras moléstias, que geralmente se apresentam em forma de placas brancas ou vermelhas.

O que os especialistas recomendam é que, ao identificar algumas dessas lesões, o paciente busque imediatamente a ajuda de um profissional em odontologia, já que a taxa de falecimento por câncer de boca ainda é da ordem de 40%.

image4 (2)
A associação entre cigarro e bebidas alcoólicas é a principal responsável pelas ocorrências de lesões cancerizáveis na boca.

4. Próteses mal ajustadas

Outro fator responsável pela ocorrência de lesões bucais são as próteses e aparelhos ortodônticos mal ajustados, quando agridem a cavidade oral por um longo tempo. Essa é uma das causas mais fáceis de serem contornadas, pois geralmente é doloroso o contato do aparelho com os tecidos da boca, e que pode ser resolvido pelo ajuste do mecanismo à anatomia facial.

Tecnicamente, os danos são provocados por um “traumatismo crônico de baixa intensidade”, capaz de provocar pequenas lesões ulcerosas, que variam de uma tonalidade branca para avermelhada e com consistência não muito rígida.

Esses traumas provocados por próteses mal ajustadas, geralmente resultam em úlceras traumáticas, queratose friccional, hiperplasia fibrosa inflamatória, entre outros distúrbios, que também devem ser acompanhados a partir dos seus primeiros sinais, sob pena de evoluírem e desencadear transtornos no organismo como um todo.

Cuidado: procure um profissional

image7
O importante é saber que, no caso de lesões persistentes por mais de 10 dias, o profissional em odontologia deverá ser imediatamente consultado.

Uma das razões para que se dê uma atenção especial a qualquer tipo de lesão bucal é o fato de que, em muitos casos, elas são as primeiras manifestações de alguns transtornos que, silenciosamente, estão comprometendo o funcionamento normal do organismo.

De acordo com os profissionais em odontologia, uma lesão que não cicatriza naturalmente em até 10 dias pode, sim, ser o sintoma de um distúrbio bem mais sério. Ela precisará ser avaliada quanto ao seu aspecto físico, concomitantemente com uma avaliação do estilo de vida do paciente: hábitos alimentares, higiene oral, determinados tipos de manias (como morder os lábios e demais regiões da boca), entre outros fatores que podem ser determinantes para esse tipo de ocorrência.

Algumas doenças que podem se manifestar por meio de transtornos da cavidade oral, são:

Dermatoses: É muito comum que se manifeste por meio de eritemas, líquen plano, lúpus, pênfigo vulgar, entre outras lesões semelhantes.

Síndrome de Sjogren: Doença inflamatória crônica e autoimune, que afeta principalmente as glândulas lacrimais e salivares. Na maioria dos casos, manifesta-se por meio de lesões bucais, especialmente aftas, úlceras nos lábios, candidíase, entre outras.

Leucemia: A leucemia também pode manifestar-se por meio de lesões na cavidade oral, como ulcerações na mucosa, eritemas, hiperplasia gengival, petéquias, entre outras afecções.

Doenças infecto-contagiosas: Sífilis, tuberculose, hanseníase, meningite, entre outras várias afecções semelhantes, também podem se manifestar por meio de lesões na cavidade oral.

Em todos esses casos, somente um especialista em odontologia poderá realizar o diagnóstico correto, de acordo com a etiologia do distúrbio, seguido de exames médicos, que podem ser: hemogramas, teste de imunoglobulinas e anticorpos, cultura do local, ou mesmo uma biópsia (para os casos mais complexos).

Pesquisas apontam que cerca de 1/3 da população mundial sofre com algum tipo de lesão bucal. Quais causas podem levar a esses números? Deixe a sua opinião, em forma de um comentário, logo abaixo. E continue acompanhando as nossas publicações no blog.

Até a próxima!

About the Author:Carolina Caram

Leave a Comment

Whatsapp - 8h às 18h