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Quais os tipos de bactérias bucais existentes e como eliminar as que fazem mal para a saúde?

Há entre 100 e 120 milhões de bactérias por mL de saliva. São cerca de 700 a 800 espécies de bactérias bucais para cada indivíduo. Mais de 200 bilhões por grama de biofilme formado nos dentes. Quase 100 espécies de microrganismos somente na língua. Esses são os números – à primeira vista assustadores – da flora microbiana da cavidade oral dos indivíduos.

No entanto, não há motivo para pânico ao confrontar-se com esses números, pois, dentro desse contingente de microrganismos presentes na boca, uma boa parte é considerada “bactérias do bem”, ou seja, um exército que, entre outras funções, é responsável por quebrar as moléculas dos alimentos e facilitar a sua deglutição e digestão.

Também são responsáveis por proteger a cavidade bucal de uma proliferação de bactérias patógenas (causadoras de doenças) e cicatrizar pequenas lesões, evitando, com isso, a sua transmissão para a corrente sanguínea.

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Entre 700 a 800 espécies de bactérias vivem na boca. Destas, uma boa parte é considerada “bactérias do bem”.

A instalação dessas colônias de bactérias é facilitada pela própria anatomia da cavidade bucal – como a superfície rugosa da língua e os poros (e sulcos) da estrutura dentária, mucosas e gengivas, por exemplo –, que torna a boca uma das regiões mais colonizadas por microrganismos, e um verdadeiro desafio para a ciência, devido ao caráter especial da maioria dessas bactérias.

Para o especialista, professor de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e ex-diretor da Divisão Odontológica do Hospital Universitário da USP, Waldyr Antonio Jorge, “a cavidade oral possui uma grande quantidade de microrganismos, além de uma flora extremamente rica e diferenciada. No entanto, se há uma inflamação ou lesão na boca, essas bactérias podem se proliferar neste local vulnerável e formar um foco infeccioso”.

Para o especialista, o grande problema dessa colônia de bactérias é que, na maioria das vezes, as inflamações que ela provoca são silenciosas, podem evoluir sem apresentar qualquer sintoma, e só são identificadas quando já estão em uma fase bastante avançada.

No caso de um tratamento de canal, por exemplo, elas podem agir de forma sorrateira; isso porque durante o procedimento o profissional terá que remover partes do tecido pulpar necrosado pela ação de cáries em sua estrutura.

O problema é que esse procedimento combate a dor, mas se o local não for corretamente higienizado poderá haver uma nova proliferação de bactérias, tornando bem mais complicado o tratamento, principalmente pelo fato de ser um local naturalmente habitado pelos mais diversos tipos de microrganismos.

“Não é somente o tratamento de canal que pode causar complicações mais graves, também uma gengiva inflamada ou um problema periodontal podem trazer problemas”, lembra o cirurgião-dentista Alexandre Said Bussab, para o qual uma série de variáveis podem estar por trás dessas inflamações e infecções que acometem a cavidade oral. E a principal delas é a má higienização da boca, que, além de contribuir para a proliferação de bactérias bucais, ainda pode facilitar a penetração destas na corrente sanguínea.

“Os microrganismos vão se multiplicando, se infiltrando em tecidos mais tênues, mais frágeis, não só pelo osso. E, dessa forma, a infecção pode alastrar-se pela mandíbula e o maxilar, e dali para outras partes, como órgãos do tórax, da face (manifestando-se por uma sinusite) e região intracraniana (atingindo o cérebro), até mesmo desaguar em uma septicemia (invasão de bactérias no sangue), um quadro grave de infecção, que pode levar à morte”, concluiu o doutor Waldyr Antonio Jorge.

Quais os tipos de bactérias bucais mais comuns?

1. Streptococcus app.

Esse é, sem dúvida, o mais importante gênero de bactérias existentes na boca, pois, além de ser o primeiro a formar colônias na cavidade bucal, é também o que existe em maior quantidade, representando cerca de 96% da flora bacteriana. Também é determinante para a formação do biofilme (colônias de bactérias em forma de placa bacteriana), pela facilidade que tem de fixar-se na estrutura dentária, gengivas e mucosa oral.

As bactérias desse gênero são consideradas patogênicas (causadora de doenças), pois atuam digerindo açúcar e amido, e transformando-os em ácido lático e outras substâncias capazes de desgastar o esmalte dental e, consequentemente, causar danos como: cáries, erosão dental, periodontite, entre outros transtornos.

Entre as mais agressivas estão o Streptococcus pneumoniae, Streptococcus mutans, Streptococcus mitis, entre outros microrganismos semelhantes, que ainda são capazes de formar colônias com outros gêneros, contribuindo, juntas, para a ocorrência de diversas doenças na boca.

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O Streptococcus é o primeiro gênero de bactérias a colonizar a cavidade oral, e o que existe em maior quantidade.

2. Staphylococcus

Outro gênero de bactérias bastante comum na cavidade bucal é o Staphylococcus. Essas bactérias são gram-positivas, possuem membrana celular bastante consistente e formato oval. Também são consideradas prejudiciais à saúde, como potenciais causadoras das mais diversas doenças em seres humanos e animais.

A sua principal característica é ser um microrganismo oportunista, ou seja, pode permanecer no organismo de forma totalmente inofensiva. Ela precisa que o corpo experimente situações como baixa imunidade, doenças, pós-operatório, entre outras situações, para que possa se alastrar e causar vários tipos de doenças, tanto na boca como em outros órgãos do corpo humano, como cérebro, pulmão, coração, entre outros.

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3. Lactobacilos

Aqui também temos um gênero de bactérias bucais que, instaladas na boca, são capazes de contribuir decisivamente para a formação de cáries. Semelhantemente a alguns gêneros de Streptococcus, elas transformam açúcares e amido em ácido lático, que é uma substância altamente corrosiva e responsável, entre outras coisas, pela destruição do esmalte dental, com consequente formação de cárie.

Considerada uma das mais comuns na boca de indivíduos adultos, está entre as que mais contribuem também para a formação do biofilme – uma estrutura considerada ideal para a ocorrência de doenças periodontais.

Por isso, o que os especialistas recomendam é a moderação no consumo de açúcares e carboidratos, pois são os principais responsáveis pelo aumento da quantidade desse tipo de microrganismo na cavidade oral.

4. Escherichia coli

A Escherichia coli é uma bactéria típica do trato intestinal, mas que também é muito comum na cavidade oral, principalmente de indivíduos que vivem em condições precárias de higiene, e que por isso não têm o hábito de ingerir alimentos devidamente cozidos ou higienizados.

Essa bactéria é do tipo gram-negativa, em forma de bastão, e geralmente chega até a boca por meio da ingestão de alimentos ou água contaminados. As consequências podem ser, além de complicações na boca, transtornos intestinais, como cólicas e diarreias, que podem levar a óbito caso não sejam combatidas a tempo.

As infecções podem prejudicar sua boca. Fique atento!

1. Placa bacteriana

Uma das doenças mais comuns da cavidade oral forma-se a partir da interação entre as bactérias (principalmente as do gênero Streptococcus) e os resíduos de alimentos que se instalam na superfície dental como uma espécie de biofilme.

A placa bacteriana é uma película transparente, que se forma, basicamente, pela ingestão exagerada de açúcares e carboidratos, associada a uma negligência com relação à higiene bucal. Suas principais consequências são gengivite, mau hálito, cárie e outros tipos de doenças periodontais.

2. Cárie

Este é, sem dúvida, o bicho-papão entre as doenças bucais, e a que tem maior prevalência entre indivíduos em todo o mundo. Afeta pelo menos metade das crianças com até 12 anos de idade, e entre 70 e 75% dos adultos.

Entre as principais responsáveis pela ocorrência da cárie está o Streptococcus mutans, uma bactéria bucal capaz de transformar os restos alimentares (principalmente açúcares e carboidratos) em ácidos láticos, que se caracterizam pelo alto poder de corrosão da estrutura dentária e inflamação da polpa dental.

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A cárie é a principal doença bucal entre indivíduos de todas as idades. Estima-se que pelos ¾ da população sofra com o transtorno.

3. Cálculo dentário

Também conhecido como “tártaro”, o cálculo dentário surge a partir do acúmulo de placa bacteriana não combatido devidamente.

O que acontece é que a placa que se forma na superfíce dental, quando não eliminada por meio de uma correta escovação, acaba transformando-se em um material endurecido e de cor amarelada, que pode causar problemas gengivais e, até mesmo, a perda dos dentes, caso não seja removida a tempo pelo profissional em odontologia.

4. Doenças periodontais

As gengivas, o osso alveolar e o ligamento periodontal são as estruturas que sustentam os dentes, e que também podem sofrer com inflamações quando atacadas por vários gêneros de bactérias da boca, como o Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Actinomyces spp., Dialister pneumosintes, Porphyromonas gingivalis, entre outros gêneros semelhantes.

O resultado dessa agressão é o desgaste da inserção gengival, inflamação dos tecidos e, caso não seja tratada, a perda dos dentes da região afetada.

5. Lesões bucais

As lesões bucais são as principais responsáveis pela ocorrência de câncer na boca e geralmente são oriundas de agressões ao tecido bucal provocadas por próteses ou aparelhos ortodônticos, herpes orais, aftas, consumo excessivo de álcool e tabaco, entre outras formas de agressão da mucosa oral.

Geralmente, apresentam-se como pequenas manchas, protuberâncias, feridas, marcas vermelhas ou esbranquiçadas, bastante comuns na língua, nos lábios e na parte interna da bochecha. Podem ser detectadas por um profissional em odontologia por meio de exames por imagem e laboratoriais bastante simples, rápidos e com excelente grau de acerto.

6. Amigdalite

As amígdalas são gânglios localizados num ponto de convergência entre a boca, o nariz e a parte posterior da garganta. Têm a função de produzir anticorpos capazes de combater os mais diversos tipos de bactérias presentes na cavidade bucal e nas vias respiratórias, garantindo a imunidade do organismo em caso de outros ataques.

A inflamação das amígdalas geralmente ocorre pela ação de vírus e pela bactéria Streptococcus pyogenes, e o paciente apresenta sintomas como dor de garganta, febre, halitose (mau hálito), dor de cabeça, indisposição, entre outras manifestações físicas.

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Como garantir uma boca mais saudável?

O combate às bactérias da boca – que são as principais responsáveis pelas doenças que atingem a cavidade oral – passa pela sua correta higienização e pela mudança de hábitos alimentares.

Dentre as principais dicas para manutenção de uma boca saudável, estão:

1. Escovar os dentes corretamente

Para uma correta escovação é necessário que escolher uma escova de qualidade, com cerdas macias (para não agredir o esmalte dental), cabo anatômico (para uma manipulação firme) e cabeça de tamanho médio com cantos arredondados (para não machucar a cavidade oral).

Essa escovação deverá ser feita após as principais refeições – principalmente à noite, quando a produção de saliva diminui e, consequentemente, há uma maior proliferação de bactérias na boca.

2. Usar o fio dental diariamente

O fio dental é uma das principais ferramentas para a prevenção de cáries. Sua importância está no fato de que só ele consegue atingir reentrâncias do dente totalmente inacessíveis à escova.

O recomendado é que se utilize entre 40 e 45 cm de fio, enrolados nas extremidades dos dedos, e que deslize levemente entre os dentes, em um ângulo de 45°, até que perceba que não há mais restos de alimentos.

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Uma higienização correta ainda é a principal forma de combate às bactérias patogênicas da boca.

3. Cuidado com o uso de enxaguantes bucais

O problema dos enxaguantes bucais, e também do flúor, é que tais substâncias têm como função destruir as bactérias patogênicas da boca. Só que eles não diferenciam os microrganismos patogênicos das “bactérias do bem”, e acabam eliminando todas durante o processo.

O ideal é, portanto, o uso moderado desses produtos, optando por utilizá-los à noite, quando as bactérias se reproduzem com maior facilidade.

4. Modere a ingestão de açúcares

Aqui falamos, basicamente, do consumo de doces, que são os maiores inimigos da estrutura dental, pelo fato de serem o principal ingrediente para a produção de ácidos responsáveis pelo desgaste do esmalte dentário, e consequente formação de cáries.

No entanto, caso o consumo seja “inevitável”, o recomendado é fazer bochechos com água após a ingestão, ou mesmo limitar esse consumo ao período da tarde, quando há maior produção de saliva.

5. Visite um dentista regularmente

O dentista é o profissional indicado para avaliar a saúde da boca de um indivíduo. Nesse sentido, recomenda-se a visita periódica (uma a duas vezes por ano) a um especialista, que poderá recomendar uma limpeza, detectar possíveis fraturas, infecções, dentes cariados, entre outros transtornos, por meio de radiografias e demais procedimentos médicos.

6. Evite o consumo excessivo de álcool e cigarros

De acordo com um estudo realizado por especialistas do hospital A.C. Camargo Câncer Center em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), essas substâncias são capazes de destruir uma infinidade de bactérias na boca, incluindo as “bactérias do bem”, permitindo a instalação de microrganismos patogênicos altamente resistentes ao álcool e ao cigarro.

“As bactérias que resistem ao tabaco e ao álcool vão crescer, e algumas delas se aproveitarão das duas substâncias como fonte de energia”, explicou o biólogo Emmanuel Dias Neto, um dos participantes do estudo.

7. Mantenha próteses e aparelhos higienizados

Outro hábito capaz de contribuir para a manutenção de uma boca saudável é a correta limpeza de dentaduras e aparelhos ortodônticos.

No primeiro caso, a limpeza pode ser feita retirando a prótese e limpando-a com uma escova de dente e um pouco de creme dental, ou mesmo com soluções indicadas pelo dentista. Em caso de aparelhos ortodônticos, basta seguir as recomendações de higiene prescritas.

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About the Author:Carolina Caram

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