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Selante dental: tudo que você precisa saber sobre ele

O que é selante dental?

Os selantes dentais são materiais utilizados pela odontologia com o objetivo de “selar” a região oclusal (responsável pela mastigação) dos dentes e protegê-la do ataque de bactérias. Geralmente são feitos à base de monômeros resinosos, que podem apresentar-se na forma de adesivos com capacidade de formar uma barreira mecânica capaz de impedir a instalação de biofilmes (colônias de bactérias) nas fissuras e fossas oclusais.

No entanto, para essa finalidade, também pode ser utilizado o chamado “Cimento Ionômero de Vidro”, um dos materiais mais apreciados pelos profissionais da odontologia, devido à sua ótima concentração de flúor — e por isso extremamente eficaz contra o estabelecimento dessas comunidades bacterianas — e também pelo seu comportamento em ambiente úmido (como a cavidade bucal), o que o torna extremamente eficaz como um selante dental.

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Selantes à base de resinas ou cimentos ionômeros são os mais indicados para um tratamento perfeito.

Esses selantes (tanto os resinosos como o Cimento Ionômero) devem ser fixados, como foi dito, na região oclusal (onde há o contato entre os dentes e os alimentos), especialmente nos primeiros molares e pré-molares dos dentes da parte de trás da boca, para que comportem-se como uma barreira de proteção contra a ação de bactérias e ácidos provenientes dos resíduos alimentares causadores da cárie.

Esse procedimento é também conhecido como a “Supressão mecânica dos desvios estruturais do esmalte dental”, principalmente pelo fato de que a escovação (por mais eficiente que seja), o fio dental e os enxaguantes bucais não são capazes de eliminar por completo esses biofilmes, pois a região oclusal caracteriza-se por possuir uma série de defeitos, fissuras e desníveis que só mesmo um selante é capaz de vedar.

Os selantes dentários são consideradas tecnologias extremamente avançadas, e uma das mais indicadas para a proteção contra o ataque de bactérias nos dentes — apesar de não ser um procedimento novo. A história registra que desde meados dos anos 60 a odontologia já estudava e testava uma série de alternativas capazes de bloquear a instalação de placas bacterianas e resíduos alimentares nas fossas e fissuras dentais.

No entanto, apesar de ser praticamente um consenso a sua capacidade de evitar a instalação de cáries nessa região, o procedimento deve ser avaliado de acordo com o nível de agressão do esmalte dentário do paciente, o conteúdo de carga do monômero resinoso, quantidade de flúor em sua composição, além da experiência dos profissionais com relação à melhor forma de realizar a fotopolimerização do local.

Para que serve o selante dental?

Os motivos que levam à busca por novas tecnologias geralmente são a pouca ou nenhuma eficácia dos métodos comumente conhecidos. E com os materiais selantes não foi diferente, pois foram desenvolvidos com o objetivo de preencher uma lacuna, especificamente a do combate à proliferação da cárie entre a população.

Pesquisas comprovaram que, no Brasil, até os 6 anos de idade, somente 39% das crianças apresentam um quadro de saúde total da boca, com completa inexistência de cáries. E, para piorar, a partir dos 12 anos, cerca de 70% das crianças já têm o problema, que se consolida entre os adultos. Um verdadeiro fracasso quando se pensa nas metas estabelecidas pela ONU.

De forma simples, o que acontece é que a região oclusal dos dentes (onde ocorre a mastigação) pode ser facilmente agredida por essas colônias de bactérias que se instalam na boca, pelo simples fato de que os primeiros molares e os pré-molares caracterizam-se pelas suas depressões e defeitos, que são o ambiente ideal para que as colônias de bactérias se proliferem, protegidas por essa estrutura irregular.

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Por esse motivo, os selantes são considerados um dos melhores métodos preventivos, mas também para o seu controle, pois segundo estudos de Besic, nos anos 40, a utilização de selantes dentários é capaz de fazer cessar a invasão de micro-organismos nos locais protegidos, o que garante, ainda mais, a sua confiabilidade do ponto de vista terapêutico.

Muito indicado para crianças até 12 anos, os selantes têm demonstrado também excelentes resultados com relação à preservação dos dentes do ataque das bactérias causadoras da placa bacteriana, e, de acordo com a Academia Americana de Odontopediatria, o tratamento à base de selantes dentários em crianças com até essa idade é capaz de diminuir a incidência de cárie em até 60% após 48 meses do tratamento.

Portanto, o “Selamento Profilático”, quando em concomitância com bons hábitos de higiene bucal é, comprovadamente, um dos fatores primordiais para o controle da ocorrência de cáries em crianças, jovens e, em certa medida, também em adultos.

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O tratamento com selantes em crianças com até 12 anos de idade é capaz de diminuir em até 60% os riscos de que desenvolvam cárie no futuro.

Como é aplicado?

A primeira preocupação que se deve ter antes do início do tratamento é com o correto isolamento do local onde serão aplicados os selantes, para que não haja interferência externa durante o procedimento.

O recomendado, nesse caso, é a utilização de lençóis de borracha, que deverão ser presos por grampos do quadrante, ou até mesmo alguns tipos de adesivos hidrófilos, muito utilizados pela sua capacidade de absorver a saliva produzida durante a operação, o que permite que os selantes sejam fixados com mais facilidade e sem o risco de serem desfeitos com o passar do tempo.

O próximo passo será a realização de uma limpeza completa da região dental, por meio de cremes especiais, escova de Robinson, uma taça de borracha rotativa (para a limpeza da parte de trás dos dentes), púmices ou “pedra pomes” e água, basicamente.

Essa é uma fase essencial para o êxito do tratamento, pois é a ação responsável por eliminar todos os resíduos das fossas oclusais e permitir a correta fixação dos selantes na região escolhida.

Segue-se o procedimento, observando os possíveis defeitos ou desníveis dessa região, que talvez necessite da utilização de brocas carbide 0.5mm ou 1.25mm para a criação e regularização de espaços, que devem ter condições anatômicas ideais para receber as resinas selantes.

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A correta limpeza do sulco dentário é o primeiro passo para a garantia de um tratamento perfeito.

Agora é o momento de executar uma segunda limpeza — após a utilização das brocas—, e, para isso, lança-se mão do “Jato de Bicarbonato”, composto de água, ar e bicarbonato de sódio, que deve ser aplicado em uma intensidade capaz de eliminar os resíduos que ainda sobraram da limpeza.

O procedimento deverá seguir por meio da aplicação de um ácido fosfórico a 36% — que pode ser em forma de creme ou gel — com a utilização de um tubo de exploração, que durante 30 segundos irá agir sobre a região. Feito isso, o local deverá ser lavado por pelo menos 15 segundos, para torná-lo mais rugoso e, por isso, em condições de receber os selantes sem o risco de se soltarem com o tempo.

Por fim, aplica-se os selantes resinosos ou cimentos ionômeros em toda a região oclusal, que deverão ser fotopolimerizados, ou seja, solidificados por meio do contato com uma luz ultravioleta a 400mW/cm², por entre 10 e 20 segundos, suficiente para que as fossas ou fissuras sejam seladas e, enfim, protegidas contra a ação de micro-organismos causadores da cárie.

Quando se aplica os selantes?

Os principais manuais de odontologia recomendam a aplicação do selante dental quando do nascimento do primeiro dente permanente, fase em que ainda não desempenha a correta função de mastigação que lhe é peculiar.

De um modo geral, não existe uma categoria específica de dentes eleitos para receberem esse tipo de proteção, sendo necessário apenas que um especialista seja consultado antes de iniciar o tratamento e decida quais dentes podem sofrer a intervenção.

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O recomendado, segundo especialistas, é que os selantes dentários sejam aplicados nos dentes permanentes logo após o seu nascimento.

É praticamente um consenso entre os odontologistas o fato de que a fase em que os primeiros molares e pré-molares permanentes começam a aparecer é a ideal para que se faça a sua selagem, já que ainda não possuem formações cariadas e, por isso, funcionará como um método preventivo em vez de tentar combater um mal já formado.

Mas também há outro motivo para isso, e é o mito de que dentes que se conservaram livres de cárie após 24 meses do seu nascimento, em tese, não precisariam passar pelo processo de “selagem profilática”.

Na verdade trata-se de um erro, de acordo com a moderna odontologia, pois, nessa fase, a dentição ainda sofre com transformações, inclusive, com a formação de fossas ou fissuras características da região oclusal dos dentes.

E, além dos casos acima citados, não é escusada a aplicação de selantes em dentes de leite (decíduos) molares, pré-molares e de outras categorias, já que, assim como os permanentes, apresentam fossas dentais capazes de abrigar uma colônia de bactérias suficiente para desenvolver um quadro grave de cárie dentária.

Mas, nesse caso, o método teria uma ação temporária, como preparação para a selagem dos molares e pré-molares no momento da sua erupção.

Enfim, dentes que apresentam algum tipo de anomalia capaz de tornar-se um ambiente ideal para a proliferação de bactérias também podem passar por esse tipo de tratamento. São os chamados “dentes com macromorfologia”, que caracterizam-se por possuírem fossas ou cavidades irregulares e com má-formação durante os primeiros meses de vida da criança.

Eles podem ser aplicados em adultos?

A opinião da maioria dos especialistas é de que, sim, os selantes dentais podem ser aplicados em adultos, principalmente para aqueles indivíduos enquadrados nas “condições de risco” — por viverem em condições precárias de higiene—, se mostrarem negligentes quanto à correta higiene bucal ou apresentarem deformação nas fossas dentais com uma profundidade considerada anormal.

Porém, é importante ter em mente que o melhor resultado com esse tipo de procedimento geralmente é obtido em sulcos ou fissuras dentais ainda não totalmente comprometidos pela ação das cáries e em crianças e adolescentes até os 12 anos de idade, principalmente quando ainda não apresentam quadros de cárie bastante significativos, pois vários estudos já comprovaram a quase inexistência de efeitos colaterais e mesmo o desgaste do esmalte dentário pela ação dos ácidos provenientes dos alimentos.

É importante lembrar, também, que as fossas dentárias já bastante comprometidas pela incidência da cárie necessitam de outros métodos de tratamento para o problema, não apenas a selagem dental, pois é grande o risco de que o tratamento seja improfícuo, pois exigirá uma grande disponibilização de recursos financeiros para um resultado que pode não sair a contento.

Necessário se faz que haja, antes de se pensar em iniciar esse tipo de tratamento, todo um cuidado com a investigação particular de cada caso, por meio de exames radiográficos que possam determinar a saúde das cavidades oclusais, ou seja, a sua perfeita conformação física e ausência de deformações cromáticas, a fim de que possa ser constatada a possibilidade desse tipo de tratamento.

Por meio desses cuidados, é possível garantir, com a mínima margem de erro possível, o sucesso do procedimento, que dependerá, entre outras coisas, da habilidade do profissional escolhido e de várias sessões de consultas como complemento, para que se verifique a eficácia do procedimento com o passar dos anos.

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Fossas ou fissuras com cáries em estado avançado não são indicados para o tratamento com selantes dentários.

Quanto tempo dura um selante dentário?

Com sua eficácia já comprovada como um tratamento preventivo contra a ocorrência das cáries, os selantes dentários (criados nos anos 60 e consolidados nos anos 70) têm demonstrado várias qualidades, inclusive, com relação à sua durabilidade, pois, quando realizado dentro dos padrões exigidos, o tratamento pode resistir por longos anos, e ainda com a vantagem de poder ser substituído, caso necessário.

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Na prática, alguns estudos concluíram que os selantes — quando aplicados da forma correta, por meio de uma criteriosa limpeza e preparação anterior — em pelos menos metade dos casos resistiu por até 5 anos sem a necessidade de substituição, principalmente os monômeros resinosos, que, em relação à durabilidade, têm demonstrado uma pequena superioridade em comparação aos cimentos ionômeros.

No entanto, é necessário que se faça uma avaliação periódica do seu estado, pois não são raros os casos em que os selantes desgastam-se com o tempo, exigindo uma reaplicação. E as visitas periódicas ao dentista passam a ser obrigatórias para pacientes que executaram esse tipo de procedimento; o que, de certa forma, acaba por estimular o indivíduo a cuidar da sua higiene bucal.

Com relação à sua maior ou menor concentração de flúor e resinas durante a aplicação, vários testes têm demonstrado a sua irrelevância para o tratamento, assim como uma possível superioridade dos fotopolimerizadores em relação às lâmpadas especiais de LED para a solidificação do material. O resultado do tratamento está definitivamente ligado às condições prévias das fossas oclusais do paciente e a competência do profissional envolvido na operação.

O selante dental ou “selagem profilática” é um dos métodos mais utilizados atualmente para a proteção dentária contra a invasão de bactérias e demais micro-organismos causadores da cárie. Mas qual a sua opinião sobre isso? Deixe-a em forma de um comentário logo abaixo e acompanhe nossas postagens para saber mais sobre esse e outros assuntos.

About the Author:Carolina Caram

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